É comum no Ocidente ouvirmos que o budismo não fala sobre o início ou o fim do mundo. É verdade que as antigas escrituras budistas não dão destaque para o tema, mas há dois suttas em especial que formam uma espécie de "cosmologia" e "escatologia" budistas: o sutta Agañña e o sutta Cakkavatti, respectivamente. Muito mais do que meras previsões sobre o futuro ou explicações sobre as origens do universo, esses textos apresentam uma riqueza de detalhes e informações sobre o budismo que podem passar despercebidas ao leitor desatento. Neles, Buda fala sobre questões sociais e políticas, defende propriedades coletivas, justiça social, políticas públicas para os pobres, participação política das massas, dentre outras coisas. Isso se dá porque o Buda privilegia uma teoria do contrato social em detrimento do conceito de direito divino que era comum na Índia de sua época. Buda utiliza essas imagens cósmicas e apocalípticas como uma analogia para o desenvolvimento histórico da humanidade e propõe o Buda-Dhamma como um sistema que pode impedir, retardar ou até mesmo reverter a degradação da humanidade. Nesse sentido, a Sangha é a expressão máxima da ideia do Buda sobre a convivência social harmoniosa. O papel do budismo, nesse sentido, é servir de contraponto ao contínuo ciclo cósmico de destruição e reaparecimento da Samsara.
Categoria: História
História budista para praticantes budistas
Segundo Rita Gross, uma proeminente estudiosa e praticante do budismo tibetano, estudar a história do budismo ajuda a superar o sectatismo entre as escolas budistas e clarifica muitos pontos importantes da prática budista. Segundo Gross, questionar a historicidade de um texto budista é diferente de questionar sua validade.
Não deixem Aung San Suu Kyi de fora de seu papel no genocídio no Mianmar
Na semana passada, um proeminente professor budista defendeu Aung San Suu Kyi, a budista vencedora do Prêmio Nobel da Paz e líder civil do Mianmar, contra as críticas de que ela é parte do genocídio. Khin Mai Aung explica por que essa defesa não se sustenta.
Carta de Dzongzar Kyentse Rinpoche em apoio à Aung San Suu Kyi a respeito da crise rohingya
Em seu texto mais polêmico dos últimos anos, o lama butanês Dzongsar Lamyang Khyentse sai em defesa de Aung San Suu Kyi, afirmando que as críticas que ela recebe por seu suposto corpo-mole diante da crise rohingya, não passam de propaganda colonialista do Ocidente. O posicionamento dele causou polêmica em parte da comunidade budista, que reagiu com críticas. O blog Budismo & Sociedade publica a carta e a resposta de uma ativista social budista do Mianmar.
Qual a conexão entre o budismo e a limpeza étnica no Mianmar?
Como os budistas se envolveram em uma das piores crises humanitárias do mundo? Randy Rosenthal lança um olhar através da história para entender como uma religião de paz se converteu em justificativa para a violência.
Sexo, pecado e budismo
Neste texto, o Bhikkhu Cintita Dinsmore discorre sobre o papel do celibato monástico e da manutenção da instituição monástica, discorrendo sobre como o sexo e o desejo sensual são encarados no budismo.
Convertendo-se ao budismo como forma de protesto político
O budismo é visto como a religião igualitária. Talvez por isso, indianos de castas baixas ou sem casta (Dalits) estão deixando o hinduísmo em massa - em parte por causa do primeiro-ministro indiano.
Porque os budistas deveriam apoiar o casamento igualitário
Muitos budistas tem se posicionado sobre a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas raramente se fala sobre o que o próprio Buda disse a respeito. Neste texto, Ajahn Sujato examina no Cânone Páli o que Buda Gotama falou sobre o tema tanto nos Suttas quanto na Vinaya.